Milico Ponderão

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LIDERANÇA MILITAR




“Não há pelotões fracos, apenas líderes fracos”.
Identifiquei essa assertiva, pela primeira vez, ao ler uma obra de J.C. Hunter. Ele atribuía a autoria ao Brigadeiro William Creech, mas já li uma entrevista dele mesmo creditando a frase ao General Patton.

Pouco importa a autoria, mas entendo como uma verdade. Basta recordarmos do exemplo da guarda do quartel. Um mesmo efetivo de sentinelas, sob comando de distintos oficiais de dia, apresentam posturas completamente diferentes.

Por isso, a eficiência operacional jamais será alcançada sem homens capacitados e estimulados a agir com iniciativa à altura de sua competência e de seu nível hierárquico. capacidade de liderança do comandante é um dos fatores da operacionalidade.

Inúmeras vezes fomos estimulados a instruir, discutir e discorrer sobre liderança. Acredito que o velho Manual de Campanha Princípios de Chefia, edição de 1953, enumera fundamentos que se adequam a todos os escalões: 

PRINCÍPIOS DE LIDERANÇA
1. Servir de exemplo a seus subordinados.
2. Conhecer sua profissão.
3. Conhecer-se e procurar o auto-aperfeiçoamento.
4. Assumir as responsabilidades por seus atos.
5. Decidir com acerto e oportunidade.
6. Desenvolver o senso de responsabilidade em seus subordinados.
7. Conhecer e cuidar do bem-estar dos seus comandados.
8. Manter seus comandados bem informados.
9. Assegurar-se de que as ordens são compreendidas, fiscalizadas e
executadas.
10. Treinar seus subordinados como uma equipe.
11. Atribuir missões a seus comandados de acordo com as possibilidades destes. 

Ao longo de nossa carreira, também detectamos indicadores de falta de liderança. Estes foram sendo listados aos poucos e percebemos que trabalho não acabou, pois, ainda este ano, acrescentei um em um item em uma lista que se mantinha intacta por alguns anos.

INDICADORES DE FALTA DE LIDERANÇA
1. Revelar falta de ética, não dignificando a autoridade da investidura do seu
cargo
2. Exigir pouco de si e muito do comandado.
3. Ser centralizador e “dono da verdade”.
4. Decidir sem presteza, ou não decidir.
5. Administrar mal o tempo.
6. Ser pessimista.
7. Não ter comprometimento com a Instituição.

8. Não ter visão de futuro.
9. Não ter empatia.
10. Não ser proativo.  

Por mais que a ética seja um assunto recorrente, presente no Estatuto dos Militares, que exista um Vade-Mécum que aborda com profundidade o tema, que fosse matéria da Escola Militar desde o Império (quando era apresentada como Moral), devo creditar a inserção do primeiro item supra citado a Mensagem de Comando do General Enzo, Comandante do Exército, expedida no ano de 2009, que diz em um trecho:

“Todas as profissões estabelecidas possuem um código de ética, documento formal que contém suas normas de conduta. A maioria desses códigos adota como princípios a honestidade, a lealdade, o respeito à dignidade da pessoa, o acatamento da hierarquia e a fiel observância do segredo profissional e das normas administrativas da organização”.
“No que diz respeito aos militares, tradicionalmente esses padrões têm sido muito rígidos, em função da própria natureza da profissão e das servidões que ela impõe aos seres humanos que lhe devotam a existência”. 

É uma grande verdade. Basta acompanharmos a mídia que rapidamente estaremos diante do assunto: Comissão de Ética do Senado, Código de Ética da Petrobrás, Código de Ética do Funcionalismo Público, Código de Ética Médica, e assim por diante. Da mesma forma, o povo entende que ética se confunde com os conceitos de caráter e de educação moral.O Jornal Extra, de 6 de julho de 2011, apresentou as seguintes ideias de transeuntes do Rio de Janeiro:

"Em churrasco de pobre, ninguém vai de jatinho. Paga o ônibus com dinheiro do salário e ainda racha carne de segunda. Sempre ensinei meus filhos a não aceitar nada de ninguém. Se pobre pega uma manteiga é preso. Rico só muda de cargo".
"Sou servidor e me ofereceram uma latinha de refrigerante para furar uma fila. Não aceitei. Não precisa de decreto para ser sério".
"No Norte, honestidade é que nem dar bênção: passa de pai para filho".
"Ética a gente aprende desde criança: é viver sempre na linha para morrer empaz".
"Estou educando meus filhos para que eles não precisem de código de ética"

Mais recentemente, o Jornal O Globo, de 8 de abril de 2012, publicou uma matéria intitulada “Líder por natureza e paixão”. Nessa matéria, apresentou o resultado de uma pesquisa feita pela consultoria Robert Half sobre as dez principais características de um bom líder. Observamos a ética com 42% de votos dentre cerca de 300 presidentes, superintendentes, diretores e gerentes de empresas em todo o país. 

10 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE UM BOM LÍDER 


Identificamos que o Código de Ética Militar não está consolidado em um único documento. Conforme já citamos, ele se apresenta no Estatuto dos Militares, no Vade-Mécum e no juramento de incorporação de qualquer militar. Para recordarmos:

“Incorporando-me ao Exército Brasileiro, prometo cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado, respeitar os superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de armas e com bondade os subordinados e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições defenderei com o sacrifício da própria vida”.

Observamos que está redigido em um português clássico e em universo de tempo diferente do atual. Em uma linguagem contemporânea, acreditamos que as palavras afeição e bondade seriam substituídas pelo vocábulo respeito. 
John C. Maxwell escreveu certa vez que “os líderes que falham moralmente não conduzem ninguém a um lugar melhor. Quanto mais alto o líder subir, mais profundo deverá ser o desenvolvimento de seu caráter. O caráter representa a vida interior de um líder”. Tal assertiva nos conduz para uma pauta mais profunda quando comparamos cargo e autoridade:


 O cargo é formalizado por uma publicação. A autoridade é conquistada com competência, caráter e dedicação, e esses atributos são, também, qualidades essenciais do Líder, conforme nos mostra o Caderno de Instrução Comandante – Chefe e Líder em sua edição de 1986.

Certas pessoas têm o cargo, mas não a autoridade e vice-versa. O Marechal Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, por exemplo, não exerce cargo há muito tempo e é uma autoridade, sinônimo de procedimento impecável.

Não vale a pena citar exemplo reverso, pois vemos no nosso dia a dia diversos casos negativos no cenário nacional.

Em meio a uma crise política, Célio Borja, jurista e antigo Ministro da Justiça, apresentou o seguinte depoimento no Jornal O Globo em agosto de 2011:

Mesmo que a opinião pública fracasse, o governo tem a obrigação de combater a corrupção. Não podemos depender só da opinião pública, ainda que toda manifestação que cobre mudanças seja benéfica. Nós temos leis. No mais, se Dilma continuar a faxina, terá sua ação facilitada. Vai ganhar respeito e autoridade. 

Apresentamos a ideia-força “CARGO e AUTORIDADE” como ponto forte dessa mensagem. Devemos alcançar a autoridade com todos os atributos apresentados na figura acima. Lyandro, já apontava que “não é o posto que honra o homem, mas o homem que honra o posto”.

A Chefia e Liderança permeiam toda a carreira militar, com princípios perenes e maduros. Há vasta literatura a respeito, porém não posso dizer que uma obra seja melhor que a outra. Leia tudo que puder para finalmente exercer sua liderança com PROFISSIONALISMO E ENTUSIASMO. 
Brasília, DF, dezembro de 2012.

Gen Ex AMÉRICO SALVADOR DE OLIVEIRA
Antigo Comandante de Operações Terrestres

E aí caros ponderões, qual é a sua opinião sobre esse assunto?


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